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Juíza Interroga Pinto da Costa na Próxima Terça-feira
Por ANTÓNIO ARNALDO MESQUITA E JOSÉ AUGUSTO MOREIRA
Sábado, 04 de Dezembro de 2004

Jorge Nuno Pinto da Costa esteve detido durante quatro horas nas instalações do Tribunal de Gondomar, acabando apenas por ser notificado para ali voltar na próxima terça-feira para ser interrogado pela juíza Ana Cláudia Nogueira. O despacho foi transmitido pela magistrada judicial ao presidente do FC Porto, cerca de duas horas antes do início de uma concentração que as claques dos "dragões" tinham convocado para as imediações daquelas instalações judiciais, no final do desafio com o Beira-Mar.

A decisão da juíza contribuiu para diluir a tensão gerada pela detenção de Pinto da Costa que, ao contrário do que sucedeu com todos os outros arguidos conduzidos sob detenção para o primeiro interrogatório judicial, quer em 24 de Abril (quando foi desencadeada a operação "Apito Dourado"), quer anteontem, não foi dormir à zona prisional da Directoria do Porto da Polícia Judiciária.

Este local poderia vir a transformar-se num ponto de convergência dos adeptos dos "dragões" para acompanharem em vigília o seu líder, caso a magistrada adoptasse a posição que assumiu em relação a todos os arguidos que lhe foram apresentados detidos para o primeiro interrogatório e definição das medidas de coacção. Para isso muito contribuiu a ausência de Pinto da Costa em Espanha, provavelmente na Corunha, quando a Polícia Judiciária se dirigiu para a sua residência, em Madalena, Vila Nova de Gaia, para cumprir o mandado de detenção emitido pelo procurador Carlos Teixeira.

Os investigadores acabariam somente por apreender documentação na sua residência e na sede do FC Porto, na Torre das Antas, e no Estádio do Dragão, alvos das buscas determinadas pela juíza Ana Cláudia Nogueira. Na sequência destas diligências de recolha de prova, o advogado de Pinto da Costa, Gil Moreira dos Santos, requereu logo nesse dia a constituição de arguido do líder do FC Porto e anunciou a sua disponibilidade para comparecer no Tribunal de Gondomar quando a justiça quisesse.

O facto de não ter sido localizado pela Polícia Judiciária implicou que Pinto da Costa acabasse por não ser privado de movimentos, ao invés do que sucedeu com os outros cinco alvos dos mandados de detenção. Todos os detidos conhecem agora os factos que levaram o Ministério Público a promover a sua detenção. O adiamento por 72 horas do interrogatório pela juíza de instrução implica que Pinto da Costa só venha a ser confrontado com os indícios que o incriminarão na próxima semana.

A diligência decorre, por ironia do destino, no dia em que o FC Porto disputa um desafio decisivo com o Chelsea de José Mourinho e na véspera da partida da equipa para Tóquio, no Japão, onde vai defrontar os colombianos do Once Caldas para a Taça Intercontinental. Então, a juíza Ana Cláudia Nogueira deverá confrontar Pinto da Costa com situações que já são conhecidas: alegadas diligências junto do major Valentim Loureiro devido a processos disciplinares pendentes na Liga de Clubes contra o jogador Deco e o técnico José Mourinho, nomeadamente. Mas também deverá pedir explicações sobre outros factos que terão sido entretanto apurados pelos investigadores.

O interrogatório de ontem de alguns arguidos leva, no entanto a admitir que, no âmbito desportivo, uma parte significativa dos factos imputados resulta da análise das centenas de horas de escutas realizadas pelos investigadores, a partir de Agosto de 2003. Nalguns casos envolvento apenas conversas entre terceiros e não os próprios arguidos, como poderá ser o caso do árbitro Augusto Duarte, supostamente autor de três crimes de corrupção passiva desportiva. Além disso, o árbitro de Braga terá de prestar contas à justiça pelo facto de, durante a busca, a PJ lhe ter apreendido uma arma ilegal.

No caso da equipa liderada por Jacinto Paixão, aos três arguidos foi imputado um crime de corrupção passiva desportiva, em troco de alegados favores sexuais, consumados na véspera de um desafio disputado no Estádio das Antas. O árbitros alentejanos foram ainda proibidos de estabelecer contactos com os restantes arguidos e também com observadores da Liga de Clubes e da Federação Portuguesa de Futebol. "Por nenhum meio, nem por interposta pessoa", frisou a juíza.

In Público