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07-03 -2007 13:00:00 Correio da Manha



Gondomar: Valentim e mais 23 arguidos vão a julgamento
Fez-se justiça

O juiz Pedro Miguel Vieira validou as mais de 16 mil horas de escutas do caso ‘Apito Dourado’ e decidiu levar a julgamento 24 dos 27 arguidos do processo de Gondomar. Rui Mendes, o ex-árbitro que denunciou a corrupção do futebol português, ficou satisfeito com a decisão do magistrado. “Fez-se justiça”, disse minutos depois de saber que não será julgado, ao contrário do que vai suceder a Valentim Loureiro e a Pinto de Sousa.

Além de Rui Mendes, ficam fora do julgamento os árbitros Sérgio Pereira e Aníbal Gonçalves. Estavam os três indiciados de crimes de corrupção desportiva passiva, mas o juiz Pedro Miguel Vieira entendeu que não havia provas que sustentassem a acusação. No entanto, como estes têm conhecimento de factos relativos a outros arguidos, o magistrado arrolou-os como testemunhas de acusação.

A acusação proferida pelo procurador Carlos Teixeira sofreu ainda outra alteração: Valentim Loureiro só vai ser julgado por um crime de prevaricação e não por dois. O juiz Pedro Miguel Vieira entendeu que o Ministério Público não reuniu prova suficiente que fizesse antever uma condenação em sede de julgamento.

Agendada para as 14h00, a leitura da decisão instrutória do processo de Gondomar só começou quase uma hora depois. Segundo fonte do tribunal, os advogados de vários arguidos “ficaram retidos no trânsito” e a sessão só podia começar quando todos estivessem presentes.

Perto das 15h00, Pedro Miguel Vieira entrou na sala e começou por dizer que não ia ler a totalidade das 356 páginas da decisão instrutória, mas apenas um resumo. Resumo esse que, mesmo assim, demorou quase quatro horas, o que motivou o abandono da sala de dois advogados, assim que souberam o que o juiz tinha decidido em relação aos seus clientes.

Antes de indicar quais os arguidos que vão ser julgados, o magistrado respondeu a questões prévias apresentadas por vários advogados e que podiam colocar em causa todo o processo ‘Apito Dourado’.

No caso das escutas que, segundo alguns advogados, constituem a principal prova do Ministério Público, o juiz afirmou que não padecem de qualquer “nulidade ou irregularidade”.

Quanto à lei que pune a corrupção no desporto, posta em causa pelo arguido José Luís Oliveira através de um parecer de Gomes Canotilho, o magistrado considerou que tal lei foi feita de acordo com os preceitos exigidos pela Constituição.

Depois, o juiz Pedro Miguel Vieira falou da situação de todos os arguidos e deu por encerrada a instrução do processo de Gondomar. A decisão que proferiu não é passível de recurso, dado que, de acordo com vários advogados, se limitou “praticamente a confirmar” a acusação de Carlos Teixeira.

Só as questões relativas às escutas e à lei que pune a corrupção no desporto podem ser alvo de recurso para a Relação do Porto, situação que, segundo fonte judicial, não impede o início do julgamento, cuja data ainda não está marcada.

ADVOGADOS ASSUMEM DERROTA

O advogado Artur Marques, defensor de José Luís Oliveira, vice- -presidente da Câmara de Gondomar, assumiu a decisão do juiz Pedro Miguel Vieira como “uma derrota pessoal”, mas anunciou que vai recorrer para a Relação do Porto, no caso das escutas e da lei que pune a corrupção no desporto. “Fui totalmente vencido, só que não fui convencido.”

Amílcar Fernandes, advogado de Valentim Loureiro, reconheceu que não esperava a ida do seu cliente a julgamento: “O juiz aderiu à tese do Ministério Público. Agora vou ler com todo o cuidado a decisão instrutória, mas já decidi que vou recorrer no caso das escutas e da lei da corrupção no desporto. Duas questões altamente controversas. Mas sei que esses recursos não vão impedir a realização do julgamento.”

JUIZ MENCIONOU CAROLINA SALGADO

Ao pronunciar para julgamento os principais arguidos do caso ‘Apito Dourado’, o juiz Pedro Miguel Vieira teve em conta o depoimento de Carolina Salgado, prestado em Dezembro, durante a fase de instrução. Carolina, que foi arrolada como testemunha de acusação, afirmou que Valentim Loureiro tinha um grande ascendente sobre Pinto de Sousa. E que ouviu por diversas vezes o Major pedir a Pinto de Sousa para ter cuidado com os árbitros nomeados para jogos do Gondomar. Afirmou ainda que os árbitros iriam receber prendas e que Pinto de Sousa não sabia dizer que não ao ex-presidente da Liga de Clubes.

NOTAS

IMPRESSORA AVARIADA

O juiz Pedro Miguel Vieira não entregou as 356 folhas da decisão instrutória aos advogados, porque a sua impressora pessoal avariou.

VALENTIM MANDA ASSESSORES

Valentim Loureiro não compareceu à leitura da decisão instrutória, mas mandou ao tribunal dois assessores: Nuno Santos e Jorge Morgado.

CARLOS TEIXEIRA ESTEVE NO TRIBUNAL

Carlos Teixeira, o procurador titular do ‘Apito Dourado’, assistiu à leitura do decisão instrutória, junto ao juiz Pedro Miguel Vieira.

VÃO A JULGAMENTO

JOSÉ LUÍS OLIVEIRA

Contabilista, vice-presidente da Câmara Municipal de Gondomar, ex-presidente da comissão administrativa do Gondomar Sport Club

CRIMES

26 crimes dolosos de corrupção activa

21 crimes dolosos de corrupção desportiva activa

PENA

6 meses a 5 anos de prisão

Até 4 anos de prisão

JOAQUIM CASTRO NEVES

Empresário e vereador da Câmara Municipal de Gondomar, antigo chefe do departamento de futebol do Gondomar Sport Clube

CRIMES

19 crimes dolosos de corrupção desportiva activa

PENA

Até 4 anos de prisão

VALENTIM LOUREIRO

Presidente da Câmara de Gondomar, ex-presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional

CRIMES

26 crimes dolosos de corrupção activa e dois crimes dolosos de prevaricação

1 crime doloso de prevaricação

PENA

6 meses a 5 anos de prisão

Até 5 anos de prisão

PINTO DE SOUSA

Industrial, antigo presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF)

CRIMES

26 crimes dolosos de corrupção passiva para acto ilícito

PENA

De 1 a 8 anos de prisão

FRANCISCO COSTA

Industrial, natural e residente em Gaia, antigo vogal e actual vice-presidente do Conselho de Arbitragem da FPF

CRIMES

26 crimes dolosos de corrupção passiva para acto ilícito

PENA

De 1 a 8 anos de prisão

LUÍS NUNES

Industrial de calçado, ex-vogal do Conselho de Arbitragem da FPF

CRIMES

2 crimes dolosos de corrupção activa

4 crimes dolosos de corrupção desportiva activa

PENA

6 meses a 5 anos de prisão

Até 4 anos de prisão

LEONEL VIANA

Antigo vereador da Câmara de Gondomar

CRIMES

Um crime doloso de prevaricação

PENA

Até 6 anos de prisão

ANTÓNIO FERREIRA

Tenente-coronel do Exército, reformado

CRIMES

Um crime doloso de prevaricação

PENA

Até 6 anos de prisão

HORTA FERREIRA

Designer

CRIMES

Um crime doloso de prevaricação

PENA

Até 6 anos de prisão

BARBOSA DA CUNHA

Observador de árbitros

CRIMES

Um crime doloso de corrupção passiva para acto ilícito

PENA

Até 6 anos de prisão

CARLOS CARVALHO

Presidente do Conselho de Arbitragem da AF Porto

CRIMES

Dois crimes dolosos de corrupção desportiva activa

PENA

Até 4 anos de prisão

LICÍNIO SANTOS

Árbitro

CRIMES

Dois crimes dolosos de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

PEDRO SANHUDO

Árbitro

CRIMES

Três crimes dolosos de corrupção desportiva passiva e dois crimes dolosos de corrupção desportiva activa

PENA

Até 4 anos de prisão

HUGO SILVA

Árbitro

CRIMES

Dois crimes dolosos de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

JOÃO MACEDO

Árbitro

CRIMES

Quatro crimes de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

RICARDO PINTO

Árbitro

CRIMES

Três crimes de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

PINTO MENDES

Árbitro

CRIMES

Três crimes de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

ANTÓNIO EUSTÁQUIO

Árbitro

CRIMES

Dois crimes de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

JORGE SARAMAGO

Árbitro

CRIMES

Um crime de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

JOSÉ RODRIGUES

Árbitro

CRIMES

Dois crimes de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

SÉRGIO SEDAS

Árbitro

CRIMES

Um crime de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

AMÉRICO NEVES

Presidente do Sousense

CRIMES

Um crime doloso de corrupção desportiva activa

PENA

Até 4 anos de prisão

AGOSTINHO SILVA

Ex-chefe do departamento de futebol do Sousense

CRIMES

Um crime doloso de corrupção Desportiva activa

PENA

Até 4 anos de prisão

JOÃO MESQUITA

Observador de árbitros

CRIMES

Um crime doloso de corrupção activa

PENA

De seis meses a 5 anos de prisão

LIVRES

RUI MENDES

Bancário, árbitro

CRIMES

Um crime doloso de corrupção desportiva passiva

PENA

6 meses a 5 anos de prisão

SÉRGIO PEREIRA

Empresário e vereador da Câmara Municipal de Gondomar, antigo chefe do departamento de futebol do Gondomar Sport Clube

CRIMES

Um crime doloso de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão

ANÍBAL GONÇALVES

Árbitro

CRIMES

Um crime doloso de corrupção desportiva passiva

PENA

Até 4 anos de prisão
Octávio Lopes